decabelosempe.blogspot.com de cabelos em pé

de cabelos em pé

Mais ou menos um diário de opiniões. Nem sempre diário, mas de opiniões sim.

domingo, dezembro 04, 2011

Faz hoje um ano


Foi no dia 4 de Dezembro de 2010 que um grupo de amigos, mais jovens, de sempre que resolveram juntar-se e homenagear o meu pai.

Obrigado a todos.

Etiquetas: , ,

segunda-feira, agosto 29, 2011

29 de Agosto de 2011

Morreu o Paulinho.

O Paulinho, para muitos o Paulo Fernando, desapareceu hoje.

Já há muito que tinha desaparecido das nossas vidas, pelo comportamento errante que "casava" com uma personalidade vincada no que ao pedido de ajuda dizia respeito.


Foi meu colega de carteira na escola das Olaias, num ano lectivo que tinha começado poucos dias antes do seu aniversário, 5 de Novembro.

Nesse ano, a gargalhada era geral. Era um tipo teimoso com um feitio de contrastes, tão depressa fervia em pouca água como era capaz de se rir dele próprio com os disparates que fazia e dizia.


Era um dos que fazia aquele tipo de avarias que podia figurar em qualquer youtube desta vida. Com ele havia sempre alguma coisa para quebrar a monotonia de algum dia de férias no bairro. Passámos muitas tardes nas traseiras da Mira Fernandes com os carros de esferas e na linha do comboio a espalmar pregos para fazer navalhas (tretas:-)


Lembro-me de irmos a pé até ao Triângulo Vermelho,
- Ó Paulinho, essa merda é depois da Luísa Gusmão, é quase em Sapadores pá
- Anda lá que eu tenho que ir curtir com a Sónia e pode ser que esteja lá alguma amiga dela para ti.


Fica tudo na memória, as idas à praia, as expulsões (de nós os dois) das aulas, as idas ás salas de jogos, na Calçada da Picheleira para jogares o do Karaté e ao Émecê para jogar snooker.

Fica tudo pá. Há coisas que não se esquecem.


Há uns anos, quando o revi só o reconheci pela voz, é chocante como alguém da nossa idade fica com aspecto de ter mais dez ou quinze anos. Já não era o Paulinho que jogava no Vitória a defesa direito, fazia aquele corredor todo, cheio de pulmão.


Tanto profissional como desportivamente falando, podias ter tido bastante mais juízo. Tinhas tudo para ser feliz mas há coisas que por muito que se queiram perceber, não se conseguem explicar.

Etiquetas: , , , ,

sexta-feira, abril 01, 2011

Em forma! Ah ah

É nestas coisas que começamos a dar valor ao que já perdemos e ao que não precisávamos de ganhar.
Tal como o filme, "No Country For Old Men", as minhas passagens pelo ginásio podiam ser chamadas de, "No Space For Old Men".

Dói-me tudo, desde a ponta dos pés até à cabeça, passando pela...barriga. Eu que gostava tanto de correr nos treinos do VCL, não tinha velocidade (para isso andava lá o Mourão que corria mais que a bola:-) mas adorava correr o que os treinadores chamavam de endurance. As coisas mudam, tudo se transforma e como costumo dizer a idade traz tudo, assim como também leva algumas coisas.

Parar quinze dias significou trazer mais 3 quilos e as máquinas queixam-se, coitadas. Queixam-se as máquinas, as minhas pernas, as costas, enfim.

Confesso que levo uns phones para ouvir música e estar distraído porque não consigo concentrar-me com o barulho do meu corpo. Imaginem a sala de espera de um consultório, é assim que está o meu corpo. Em vez de doentes em amena cavaqueira enquanto aguardam que os médicos os chamem, está a minha cabeça numa cadeira, o coração noutra, as pernas num sofá e a parte da lombar encostada a uma ombreira entre o corredor e o guichet das meninas a ler um ihola! impaciente à espera que tudo isto acabe depressa.

A minha profissão habituou-me a ter pouca paciência, normalmente as coisas resolvem-se rapidamente, se não tivermos um medicamento naquela altura teremos ao fim de 30 minutos ou uma hora. Na pior das hipóteses vem no dia seguinte.

Recuperar a forma leva tempo e eu nunca tenho paciência para esperar nem fazer esperar, gosto das coisas no imediato e desta vez está a custar mas tem que ser.

Etiquetas: , , , , ,

segunda-feira, março 07, 2011

O avô Zé de outros carnavais

Chegámos por volta da 1h30, era já mesmo o fim de uma sexta-feira que tinha começado bem cedo .

Vínhamos preparados para quatro dias de madorna, de dolce fare niente, de “deixa lá o carnaval para os outros e vamos mas é ficar por aqui a bezerrar. Aproveita-se o fds com o aniversário do afilhado Miguel e da tia Ana Sofia".

Já disse que era 1h30? Pois já.

Chegámos, descarregámos o carro, as três crias incluídas que já dormiam e por uns breves instantes fiquei com a sensação dos finais dos anos 70 e de todos os 80 quando subíamos a Rua Frei Fortunato e nos aproximávamos da Rua Silveira Peixoto, instalava-se uma ansiedade na barriga com a expectativa de ver os mascarados, as matrafonas, tentar descobrir quem fazia de morto no enterro do carnaval e no fds a seguir perceber quem seriam os príncipes e os reis de mais um carnaval.

Já por várias vezes referi que é uma época do ano que me passa completamente ao lado. Provavelmente porque já não estou no bairro e toda a magia ou mística foi-se no tempo.

A sala do VCL cheia à pinha, era um confronto saudável de gerações, a dos nossos pais que até sabiam uns passes de dança e a nossa que se podia dividir em duas partes: a que sabia dançar e a que ficava a puxar o lustre a cadeiras e ombreiras de portas num misto de “não sei dançar, por isso não vou ali para o meio fazer as mesmas figuras do olho de peixe-espada” e “deixa cá ver se a tipa repara que eu estou aqui com os meus sapatos yucca acabadinhos de comprar na Praça do chile e até pus o meu perfume cacharel”. Posso dizer que sempre me incluí nestas duas últimas partes, embora nunca tenha tido sucesso na última.

Claro está que não valia a pena levar sapatos yucca, porque apesar de não dançar era pisado na mesma e o cacharel desaparecia assim que subíamos os primeiros degraus e o cheiro do bacalhau assado e dos chocos com tinta se impregnavam de tal maneira na nossa roupa.

Bom, voltando à sensação de electricidade na barriga, chegámos a casa e o avô Zé, qual matrafona do carnaval do Vitória ou empresária em nome individual e isenta de impostos com domicílio fiscal num carro estacionado entre o Instituto Superior Técnico e o Instituto Nacional de Estatística, esperava pelos netos que acordaram mais depressa que num dia de visita de estudo na escola.



São 77 anos de muitos carnavais.Não sei quantos da minha geração, serão capazes de lá chegar com esta disposição mesmo que a saúde o permita.

Não sei se o Vitória voltará a ter um baile de carnaval. Sei que muitos de nós gostariam de voltar a entrar naquela sala, como se fazia há 20 anos.


Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, novembro 24, 2010

Orgulho

Orgulho, é o que se sente quando um grupo de amigos resolve homenagear o nosso pai, não só pela amizade mas sobretudo pelos valores. O resto fica por dizer até dia 4.

Ontem, em dia de aniversário da filha, veio-me parar isto ás mãos. Uma dupla alegria.

Fica para já um agradecimento ao(s) autor(es).

Etiquetas: , , , , ,

quarta-feira, novembro 03, 2010

3 de Novembro de 2010

O meu melhor amigo comemora hoje a sétima capicua da vida.
77 anos de trabalho, paixão, amizade e de alguns pontapés aos quais sempre soube resistir. Fico triste quando o ouço falar dos desgostos que ainda sofre com esta idade mas ainda assim é um homem com um interior enorme, uma cultura geral que eu saudavelmente invejo e com a capacidade inata de dar a outra face.

Ao longo destes anos e principalmente depois de ter filhos tem-me ensinado muito, posso dizer mesmo que tudo o que transmito aos meus é uma cópia do que fui ouvindo com a mesma idade.

Todos os dias cumpre a obrigação de se apresentar ao serviço, mantém a paixão/dedicação ao seu clube de sempre o Vitória Clube de Lisboa e ao seu bairro da Picheleira, onde aprendeu a ler, escrever e fez amigos que conserva até hoje.

Parabéns Pai

Etiquetas: , , , ,

segunda-feira, maio 10, 2010

Falando de desporto


Stúdios Luzfoco
Retratos de Arte
Reportagens Fotográficas
Calçada da Picheleira, 164-B
Lisboa


Estamos numa época em que se fala de saudosismo a cada hora do dia.
É tudo comunicação social, seja na tv, rádio, jornais ou mesmo nos facebook's e blog's desta vida.
Quando trocamos mensagens, fotos, piropos ou comentários, também se pode considerar que estamos a fazer comunicação social.

Falar de saudosismo implica necessariamente recordar o bairro onde nasci, cresci, pratiquei desporto, estudei, fiz grandes amizades, perdi outras (poucas felizmente), implica falar da Picheleira e falar do Vitória Clube de Lisboa.

O Vitória era mais que um clube de bairro, era um local de culto no que diz respeito ao convívio, deporto e cultura.

Orgulhosamente ostentava "instituição de utilidade pública", de 11 de Agosto de 1944.
Hoje vive de memórias e subsídios camarários. Não tem futebol, talvez daí venha a explicação da sua (ainda que condenada) existência.

Porém, quando se fala em desporto, lembro-me sempre do meu VCL e do meu pai a fazer ginástica.
Há quarenta anos o meu pai fazia ginástica no Vitória.


Etiquetas: , , ,

terça-feira, maio 05, 2009

post sem título*

Agosto, mês de férias, aniversário do clube do meu bairro e normalmente assembleia geral de eleição de corpos gerentes. Ora se estava tudo de férias, pouca gente havia no bairro para decisões importantes no clube.
Lá aparecia uma lista de candidatos a corpos gerentes, onde se iam mantendo as caras do conselho fiscal e poucas mudanças se notavam na mesa de assembleia.

Quando os balancetes apertavam, o dinheiro e a disponibilidade dos sócios não apareciam ,ao fim de duas ou três assembleias, ouvia uma frase que se atirava para o ar em desespero de causa,
"se não aparecer ninguém para pegar nisto, fecha-se a porta e entrega-se a chave ao governo civil"
Naquela altura, chocava-me saber que o clube do meu bairro podia fechar. Hoje não tenho praticamente notícias de uma coisa maravilhosa chamada Vitória Clube de Lisboa.

Minto, soube há cerca de um mês que o meu pai é novamente presidente da assembleia geral.

Lembrei-me disto ao ouvir o presidente do Sporting ameaçar quem lhe perguntasse novamente se se iria recandidatar.

Parece-me que não tarda também se entrega a chave do José de Alvalade ao governo civil e seja o que Deus quiser e o diabo deixar.

* não consigo imaginar nenhum que lhe fique bem

Etiquetas: , , ,

segunda-feira, julho 14, 2008

Vitória Clube de Lisboa

Quando fazíamos parte do departamento de futebol do Vitória Clube de Lisboa onde passávamos os serões de Terça a Sexta, usávamos um leitor de cassetes para nos acompanhar no passar do tempo. Fichas de jogadores, treinadores, boletins médicos (na altura tinha acabado a passagem pelo centro de medicina desportiva), inscrições na Associação de Futebol de Lisboa, etc.
Ouvia-se de tudo um pouco e o tinha uma cassete que era um mimo.
Só lhe faltava uma etiqueta autocolante do género..." canções ideais para constituir família".
No meio de muitas estava esta.

Song Lyrics



Foi há quase vinte anos. Curiosamente vinte anos depois desta canção ter nascido.
Daqui a vinte anos poucos serão os que se vão lembrar que no bairro da Picheleira, no nosso bairro, existia um clube maravilhoso chamado Vitória.

Etiquetas: , , , , ,

segunda-feira, junho 09, 2008

8 de Junho de 1958

- Sabes que dia foi ontem?, pergunta-me ele
- eh pá! já falhei qualquer coisa, pensei eu
- fez ontem cinquenta anos que foi a eleição entre o Américo Tomáz e o Humberto Delgado!
- ah, fez cinquenta anos que tiveste o acidente. Esqueci-me completamente. Ainda vou a tempo de pôr hoje no blogue?
- tá bem.
- faltam-me as fotografias, de qualquer maneira vou tentar escrever qualquer coisa.

Há cinquenta anos, o meu pai teve um acidente que lhe roubou as suas maiores paixões. A ginástica, a bicicleta, as danças nos bailaricos lá do vitória, etc.
Tudo o que seja físico mexe com a sua maneira de estar na vida e talvez por ter abusado tanto do físico, hoje não o consegue usar como gostava.
Apesar de tudo nunca perdeu o humor e espero mesmo que o mantenha.
Quando comprei a mota em 97, foi das primeiras coisas que quis fazer, levá-lo a dar uma volta.
Desarmou-me logo no primeiro convite.
- não posso ir Pedro
- vamos devagar em ar de passeio
- e o que é que eu faço à muleta? levo-a na orelha como se fosse um lápis?

Etiquetas: , , , , , ,

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Bic Laranja




Há dias, o Bic Laranja, blogue de inspiração alfacinha cuja essência está num ilimitado stock de imagens da lindíssima cidade de Lisboa, publicou uma foto da minha/nossa Picheleira que a todos os que lá viveram deixou, de certa forma, sensibilizados de certeza absoluta.

Consegue-se ver a rua onde eu nasci e que me dava uma dor de cabeça todos os anos quando preenchia os papéis da matrícula na escola, Rua Frei Fortunato de São Boaventura, nº51 1ºdto uff, uma nesga da Perry Vidal, a rua do sr Flávio, da Helena das Bananas, do Boca Doce, dos meus Padrinhos e do tio Lança.

A Capitão Roby, que nada tem a ver com esse marialva e rei do charme dos anos 70, até porque se havia gajo charmoso nesta rua e que teve mais namoradas que o outro roby era o puto das confecções Gazela. Os Pires, os Totinas, Mineiros, Príncipes, Amélia dos Jornais, era provavelmente a rua com mais gente conhecida no bairro.
A Praça Sócrates da Costa ou praceta, começou por ser, para mim, a praceta onde morava o Nelinho da força aérea, o Jorge Pachá, Zé Batista, Jorge Brás e o Quim. Tudo isto porque tenho uma irmã com mais oito anos e assim conheci uma geração intermédia. Mais tarde chegou a malta da minha idade, o Fanã, Paulo Fernando, João, Malveira, Palmeiro, Rogério, etc. Até eu nos últimos dois ou três anos antes de sair do bairro, tive por lá boas tertúlias no canto do nº5.
Deixo aqui uma perspectiva diferente da do Bic, quarenta anos mais tarde, já a cores, com jogo a decorrer no campo dos TLP, com a escola 28 já feita, o campo do VCL já com bancadas e cabines. O bairro na rua Carlos Botelho e os Embrechados.
Estas foram tiradas a 27 de Outubro de 1996, a bordo de um voo da Iberia mas de aviões percebes tu.
para quem precisar está no cantinho da leitura.

Etiquetas: , , , , ,

segunda-feira, setembro 10, 2007

8 de setembro de 2007

Há uns anos, (parece que já lá vão catorze) a malta juntava-se na praceta e seguia caminho para o Ramiro José, Tuna ou Olaias, chuto para lá, defesa para cá, asneiredo em barda e a noite acabava com um bife simpaticamente servido na Portugália, na Trindade ou mesmo na Mufla.

Por aqui a diferença é enorme.

Nos sábados em que há jogo, a malta chega à sede da associação, bebe-se um café (para os mais comedidos) ou começa-se a maratona da levedura e cevada.

Sábado foi então dia de arranque da época da velha guarda. Enxadas e ancinhos na mão, campinar o rectângulo e o tractor a dar voltas sem fim para gradar e depois alisar o tapete de jogo, montar redes nas balizas e acabar com um churrasco de coelho, muito bem arranjadinho pelo Paulo carapau.

É o nosso estágio de pré-época, é uma maneira diferente de estar na vida. Quando andei aos pontapés à bola no Vitória, era servido chá de limão ao intervalo, quentinho, docinho, sabia que nem ginjas, então no inverno...aqui o intervalo é regado a vinho do porto e precisamente a ginja típica de Óbidos. Diz o Gentil que o "Jaquim Maria" de Salir do Porto, quando jogava, bebia sempre duas médias ao intervalo - "ainda estou para saber como é que o gajo aguentava pá...". Não há dúvida aqui vive-se o futebol, de maneira realmente diferente. Por aqui não há restaurantes depois dos jogos, há um assador para encher de frango ou de bacalhau ou do que for possível arranjar com o dinheiro das quotas da velha guarda.

Ainda houve tempo para uma peladinha no fim.

Etiquetas: , , ,

terça-feira, junho 12, 2007

Vitória Clube de Lisboa II

Ainda não tive o prazer de ler mas a A Bola da semana passada traz uma reportagem do meu VCL a antecipar o seu fim, em jeito de crónica de uma morte anunciada. Não é de agora, pois não? Tenho a certeza que já ouço este tipo de prenúncio há mais de 20 anos.
Infelizmente.

Etiquetas:

sábado, março 31, 2007

1987

Uma das vantagens de atender ao balcão está no contacto com as pessoas. Hoje de manhã atendi um colega do futebol que não via há duas décadas quase, o fomané. Torna-se engraçado reconhecer caras com mais 19 anos, por vezes com mais rugas e na maior parte das vezes com menos cabelo.
Tenho a esperança de ainda reencontrar mais velhos conhecidos.

Etiquetas: ,